As aulas vão começar. Acabaram-se os dias sem fazer nada, acabou-se o dormir até tarde e o deitar ainda mais tarde, acabaram-se os cafézinhos, as grandes saídas. Começam as aulas, as manhãs a comer de sono, a carteira sempre vazia, a cobiça ao passar nas montras da cidade, os exames, as frequências, as faltas, os atrasos, as pancadas dos professores... Começam também os grandes serões na casa do Richi (sempre nas condições mais que certas), os intervalos com os amigos, as piadas, os desenhos no caderno, os jogos, os risos, as noites no sardinha, os almoços no Mac, as gazetas, e (ocasionalmente, assim só de vez em quando) uma comprinha daquelas mesmo alta pomba que uma pessoa nem acredita no que encontrou.
Acabou-se a minha disponibilidade para esperar por ti no facebook, ansiando a altura em que aquela bolinha verde aparecesse em frente ao teu nome, como se me estivesse a afogar e aquela bolinha fosse um átomo de oxigénio. Acabou-se a felicidade instantânea assim que, depois de verificar de segundo a segundo, falavas para mim sem eu estar à espera, sem sequer saber que a maldita bolinha estava finalmente ali, sinal de que tu também estavas. Acabaram-se as conversas até às tantas... provavelmente acabaram-se as conversas ponto.
Não posso deixar de padecer de um sentimento de perda, como se um pedaço de mim me tivesse sido arrancado. Mentiria se dissesse que não vou sentir falta, que não vou escrever muitas vezes alguma coisa para te dizer e hesitar antes de carregar na malfadada tecla "enviar" (posso mesmo carregar, nunca se sabe). Mentiria se dissesse que não vou esperar 10 minutos (e mais 10 minutos) por ti naquele ponto de encontro digital. Mentiria se dissesse que sempre que te vir lá, não vou esperar que fales para mim, que dês o ar de tua graça, que tanta graça tem. Mentiria.
Tudo seria mais fácil não estivesses tu do outro lado do mundo. Tudo seria mais fácil se não tivesse levado uma tampa e nunca mais falasses comigo (não, levei a tampa a continuaste a falar-me, do outro lado do mundo).Tudo seria mais fácil se me tivesses alguma vez dado certeza do que quer que fosse (de tudo ou de nada), mas não! Prendeste-me neste limbo, carregado de incertezas, de dúvidas, de auto críticas e baixa auto-estima (será que foste tu que me prendeste ou fui eu que me encarcerei?). Tudo seria mais fácil se eu pudesse afirmar com certeza que NÃO, não se passa nada. Raios, tudo seria mais fácil se eu pudesse afirmar, com certeza, que TALVEZ se passasse alguma coisa. Eu não sei de nada. Tu não me dás nada! E eu? Eu dou-te tudo. Tu podes não saber, até podes não te aperceber, mas a realidade é que eu me dei por inteira, sem olhar a limites. Dei-te tudo de mim, por segundos... só para depois me arrepender, me rebelar e amaldiçoar o dia em que cedi novamente à força inexplicável que me puxa para ti. Dei por mim nesta encruzilhada, a mesma, mas com outros contornos, de repente, sem aviso prévio.
O que queres de mim? Lembras-te de mim? Lembraste do meu nome? O que pensas quando ouves o meu nome? O que pensas quando me vês? O que pensas quando falas comigo? O que pensas do que eu te digo?Afinal, o que queres de mim?
Eu de ti quero aquilo que tu me deres. O problema é que existe uma diferença entre o querer e o precisar, e talvez tu não sejas aquilo que eu preciso de momento, mas és definitivamente o que eu quero.
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